ENENTREVISTA DE MANDATO JOSÉ CARLOS ROLO PRESIDENTE DA CAMARA MUNICIPAL DE ALBUFEIRA

“Cuidar das pessoas, cuidar do espaço público, da economia, cuidar do futuro”
Volvidos quase quatro anos de mandato para a gestão de um Município que cresce demograficamente, enfrentando sucessivamente novos desafios em variadas áreas, desde as ambientais às demográficas, passando pelas estruturais, económicas e outras, é hora de rever o que foi feito e o que foi iniciado para continuar a ser desenvolvido em Albufeira. Ao leme do rumo do concelho está José Carlos Rolo, professor, gestor, autarca, a quem pedimos que fizesse uma espécie de exame ao trabalho encetado desde 2021. Diz o edil que na base deste mandato esteve sempre o conceito de “cuidar” do ser humano e do futuro do concelho.


Notícias de Albufeira (NA) – Tomou posse de máscara no rosto; como classifica a atuação do Executivo perante a pandemia?
José Carlos Rolo (JCR) – Foi uma atuação que não teve tempo para hesitações. Acho que transformámos em conjunto, a vulnerabilidade e a fragilidade de um Concelho dependente economicamente do Turismo, num Concelho crente de que pós-pandemia haveria um futuro em que Albufeira voltaria a ser um dos destinos mais procurados por toda a Europa e que o crescimento compensaria as perdas e as dificuldades a que fomos sujeitos. Passámos essa ideia para toda a população em conjunto com uma série de medidas de apoio de mais de 25 milhões de euros, um dos maiores apoios dados por um município em Portugal, para garantir que todos iriam ultrapassar esta catastrófica crise. “Caminhamos lado a lado e ninguém vai ficar à beira da estrada” era o que dizíamos na altura. E fomos, apostados nesta estratégia, dos primeiros destinos a criar condições de segurança e a lançar uma campanha publicitária de destino seguro, a campanha “Albufeira Safe”, onde a Bonnie Taylor e o Nelson Rosado foram protagonistas na altura. Felizmente tudo aconteceu como esperávamos e o resultado superou até as melhores expectativas. Albufeira continuou a ser um destino de excelência, maior ainda do que era antes.
Mas foram tempos muito difíceis, de grande angústia e de muito trabalho de máscara na cara, na incerteza e na solidão dos Gabinetes.

“Caminhamos lado a lado e ninguém vai ficar à beira da estrada”, era o que dizíamos na altura (na Pandemia)
NA – Depois do Covid veio a seca com os verões de 2023 e 2024 sob a ameaça da escassez de água nas torneiras. Como foi enfrentar mais este problema?
JCR – Um pequeno pesadelo, não comparável à pandemia, que felizmente foi mitigado temporariamente pelas chuvas deste ano. O problema da água tem de ser visto de uma forma estratégica e não pontual. S. Pedro é imprevisível e não está disponível para negociações (risos). Esta crise felizmente nunca foi verdadeiramente sentida pelas populações, mas obrigou a medidas importantes. Só no ano passado implementámos mais de 20 medidas com o objetivo de eliminar os gastos de água, nomeadamente a redução do tempo de rega em aproximadamente 30%, a utilização de águas residuais em algumas regas, lavagem de pavimentos e contentores e muitas outras medidas de aproveitamento e reaproveitamento do precioso líquido.
É, porém, fundamental ter uma solução estrutural que resolva a 100% a questão. Não podemos imaginar o que significaria para Albufeira e para o Algarve, no pico do turismo, as torneiras secarem. É um assunto que está a ser tratado pelo governo e que nós estamos a apoiar. Está no bom caminho.

NA – Depois da seca, vem a tempestade com a “criminalidade”. O que tem a dizer sobre os índices apontados?
JCR – Bem, Albufeira sofre anualmente um aumento populacional exponencial que atinge as 500 mil pessoas durante a época balnear, pelo que ainda no início deste ano me insurgi contra a forma de cálculo das taxas. As estatísticas veiculadas não são ponderadas e dão azo a más interpretações que depois são especuladas descontroladamente pela comunicação social, prejudicando gravemente a imagem de destino turístico seguro que sempre nos pautou. Faça-se uma análise correta e os nossos níveis de criminalidade serão abaixo da média nacional.
Depois, está a criar-se propositadamente a ideia através das redes sociais com perfis e posts falsos de que os turistas e os emigrantes são bandidos que vêm para Albufeira com o objetivo de destruir tudo. É pena que, a esses avatares falsos, alguns Albufeirenses lhes deem crédito e partilhem essas “fake news” que prejudicam gravemente a nossa imagem.
A quase totalidade dos turistas e dos emigrantes são absolutamente pacíficos e potencialmente mais vítimas do que agressores. Além do mais são eles que alimentam a economia local.
Mas não quero dizer com isto que não há problemas ou que viro as costas à questão. Bem pelo contrário.

A quase totalidade dos turistas e dos emigrantes são absolutamente pacíficos e potencialmente mais vítimas do que agressores.
Albufeira tem muito turismo de qualidade e visitantes com capacidade financeira alta, de tal forma que, como se sabe, onde se concentra riqueza, concentram-se os criminosos para poderem, seja de que maneira for, apropriarem-se dela.
Ao contrário do que os detratores de Albufeira pretendem convencer as pessoas, este executivo tem a segurança dos cidadãos e dos seus bens como prioridade absoluta desde o primeiro dia em que tomou posse. E tem estado a concretizar tudo entendeu como necessário para debelar este flagelo a prazo.
Primeiro, a forma mais eficaz de controlar com efetividade esta tipologia de território, Oura e Baixa, de acordo com os especialistas é com videovigilância. E essa foi uma medida tomada logo no início do mandato. Lamentavelmente foram precisos anos para aprovar e implementar a rede de vídeo que está a funcionar apenas há cerca de dois meses com 65 camaras implantadas.
Segundo, era fundamental, à semelhança de muitas cidades europeias com problemas similares, tais como Amesterdão e Barcelona, ter um Código de Conduta local que estabelece regras e multas diretas, para que a polícia possa atuar na hora e com efetividade. Antes do código de conduta, se a polícia apanhasse alguém nu na via pública, apenas o podia mandar vestir ou levar para a esquadra para identificação. É um absurdo. E só quem não conhece o que se passa em Albufeira é que pode dizer o disparate, de que o Código de Comportamentos de Albufeira foi feito para abordar e penalizar quem anda de biquíni nas ruas. Andaram juristas, meses a construir o Código, para depois seguir para discussão pública e ser finalmente aprovado em Reunião de Câmara por unanimidade pelos diferentes partidos e movimentos políticos. Ninguém pode achar que tudo isto foi só para não haver biquínis e troncos nus nas ruas e esplanadas. É no mínimo ridículo pensar tal coisa.

… só quem não conhece o que se passa em Albufeira é que pode dizer o disparate, de que o Código de Código de Comportamentos de Albufeira foi feito para abordar e penalizar quem anda de biquíni nas ruas.
Terceiro, não há lei que sirva se não for aplicada com rigor e bom senso. Esta é a fase que estamos agora a concluir nesta estratégia de combate à criminalidade. Para isso montámos o programa “Albufeira – Noite + Segura” que envolve a Proteção Civil, a Polícia Municipal e os Bombeiros, totalmente financiado pela Câmara, com o objetivo de aumentar a vigilância e a segurança. Estamos ainda, por outro lado, a fechar um acordo com o Governo para um novo reforço dos efetivos policiais em Albufeira já este verão.
NA – Também ligado à segurança, o que me diz sobre a população migrante?
JCR – Os emigrantes e os turistas estrangeiros, são como convidados para a nossa casa. Nós precisamos deles e recebemo-los bem e com gosto no nosso espaço. Damos-lhes as nossas praias, o sol, a gastronomia, hotelaria, empregos, casa, boa disposição, e eles trazem a sobremesa, o vinho, o seu trabalho, o dinheiro das suas férias e o seu saber, entre outras coisas. O respeito, a tolerância e a fraternidade são apanágio das nossas gentes, mas é obrigatória reciprocidade.
Quando alguém nos convida para sua casa, não vamos para lá dançar em cima da mesa ou cuspir nos pratos.

Garanto que somos e seremos implacáveis com a emigração ilegal ou com comportamentos que afrontem as nossas regras e costumes.

Reconhecemos a importância de todos aqueles que estão cá por bem, que à semelhança dos nossos emigrantes, também buscam melhores condições de vida para os próprios e para as famílias e que dão um contributo relevante em muitos setores laborais do concelho.
O CLAIM tem tido uma importância capital no apoio e encaminhamento a quem escolhe Albufeira para reconstruir as suas vidas, de modo legal e digno, e asseguro que tem resolvido situações verdadeiramente calamitosas.
Na nossa vocação de território aberto ao outro, independentemente da origem, desde tempos imemoriais com as trocas comerciais, depois de base turística e agora por motivos laborais e de refúgio político, assumimos uma postura humana e anti discriminatória, não só no apoio burocrático, na integração na vida escolar, no meio laboral e cívico, mas também na comunidade em geral.
NA – O Presidente defendeu sempre que quer tornar Albufeira no melhor sítio do mundo para viver, trabalhar e visitar. Não acha que é uma grande ambição?
JCR – Pois pode crer que é ambicioso, mas não é de todo impossível.
Repare, atualmente Portugal já é um dos melhores países do mundo para viver e visitar. Falta ainda ser o melhor para trabalhar, embora ao nível dos nómadas digitais se esteja no bom caminho, mas lá chegaremos. Em Portugal Albufeira está no topo do ranking dos municípios, o qual cruza demografia, com economia e com qualidade de vida. E isto é um posicionamento fantástico. E para chegarmos aqui, investimos desde 2021 mais de 140 milhões de euros em obras que estão entre projetos em aprovação e obras já concluídas.
Em Portugal Albufeira está no topo do ranking dos municípios, o qual cruza demografia, com economia e com qualidade de vida.
E criámos também mais de meia centena de programas permanentes em Albufeira, com apoios a crianças e jovens, formação, cultura, defesa das tradições locais, nómadas digitais, etc, que vão defender o desenvolvimento e a personalidade de Albufeira.
E temos um cuidado extremo na defesa da nossa Costa, numa perspetiva de sustentabilidade, com 25 praias com bandeiras azuis, algumas abertas todo o ano, para não falar da bandeira verde que está nos Paços do Concelho e que nos certifica na área ambiental.
Além disso, quem em Albufeira não fica feliz com os três grandes projetos em que estamos profundamente envolvidos: a Pedra do Valado, o maior recife rochoso costeiro do Algarve; a Art Reef, a única exposição artística subaquática em Portugal da autoria do Vhils; o Algarvensis, candidato a Geoparque na UNESCO e onde os recentes, como quem diz, dinossauros descobertos na região vieram dar ainda maior valor. São patrimónios inestimáveis que pertencem a todos os Albufeirenses.
Mas há temas fundamentais para atingir o patamar que pretendemos.

Na saúde, por exemplo, a Unidade de Cuidado Continuados que se vai inaugurar até final do ano na Guia, uma obra enorme, que abre o caminho para cuidar condignamente dos nossos idosos.
Nas escolas, mais de 40 milhões de euros foram e estão a ser investidos em estruturas e infraestruturas, para além de estarmos a estudar a possibilidade de podermos ter Ensino Superior no concelho.
Mas é preciso que as pessoas tenham casas para viver e aí também a aposta é muito forte. Ao Complexo Habitacional da Ladeira da Fonte com 40 fogos, já entregue, vai-se juntar a Habitação da Fontaínhas com 69 fogos e mais 22 na Quinta dos Barros perfazendo mais de 130 casas para abrigar as famílias de Albufeira que mais necessitam. Brevemente, entregaremos também mais 17 casas que estão dispersas um pouco pela cidade.
Mas outro combate que encetámos em paralelo com a habitação, foram os transportes. A distância entre dois pontos não se mede apenas em quilómetros, mas em tempo e custo. E aí a concessão, profunda reformulação e expansão do Giro foi uma etapa decisiva para os habitantes de Albufeira. Toda a frota é verde, elétrica, reduzindo fortemente a pegada de carbono, mas sobretudo, permite o planeamento otimizado de distâncias integrando-nos nos modernos modelos de “Smart Cities”. E muito importante, os passes para jovens são gratuitos, os restantes comparticipados e esperamos que no futuro toda a rede possa ser totalmente gratuita para os residentes.

… reformulação e expansão do Giro foi uma etapa decisiva para os habitantes de Albufeira.
Tudo isto e muito mais, que iremos dar a conhecer em breve, é um contributo para Albufeira passar a primeiro concelho no ranking nacional e a partir daí discutirmos como próximo desafio: o ranking mundial. Já temos a mais bela praia do mundo, a Praia da Falésia, e muitos outros lugares que merecem estas e outras distinções. É uma missão a cumprir.

NA – Não referiu a Cidade Europeia do Desporto 2026. Ainda está emocionado com o momento em que anunciou esta vitória na Gala do Desporto em novembro nos Salgados, tamanho o entusiasmo dos milhares de presentes?
JCR – Claro que estava e estou emocionado. Foi uma imensa alegria! Mas não referi ainda nesta entrevista, porque esta é uma das muitas conquistas que o esforço que fazemos em Albufeira é reconhecido em toda a Europa. Ele veio provar o que sempre digo: quando os Albufeirenses têm um objetivo são imparáveis até o atingirem. Associações, clubes, federações, atletas e a própria população de forma global juntaram-se e o resultado está à vista. Levámos todas as estruturas ao nível da excelência e defendemos o lema de “Desporto para todos”, abrindo à saúde, bem-estar e tendo um cuidado muito especial com o tema da inclusão.

Levámos todas as estruturas ao nível da excelência e defendemos o lema de “Desporto para todos”, …
Agora é só fazer o mesmo com todas as outras áreas.

NA – Que mensagem mais gostaria de deixar?
JCR – Quero agradecer a boa colaboração e o diálogo estabelecido com os munícipes, naturais ou não de Albufeira, com os nossos turistas, empresários, responsáveis pelas associações de classe, dirigentes dos clubes e associações desportivas, sociais e culturais e, como não poderia deixar de ser, à minha equipa executiva, Juntas de Freguesia e membros da Assembleia Municipal e, muito em especial, aos trabalhadores da Câmara Municipal de Albufeira, a quem reconhecemos anualmente e de modo simbólico os bons serviços prestados através de entrega de medalhas, sempre com grande pesar por aqueles que nos deixam, com um longa vida de trabalho e entrega à causa pública. O meu sincero obrigado.

E quero pedir a todos que nunca deixem que se diga mal de Albufeira, dentro ou fora de portas. É a nossa terra sempre, corra bem ou corra mal alguma coisa. Estamos juntos para a resolver.
Sempre com Albufeira, de alma e coração.

… nunca deixem que se diga mal de
Albufeira, dentro ou fora de portas.

Deixe um comentário