O Algarve entrou oficialmente para a elite mundial do património natural e científico. O Geoparque Algarvensis recebeu em Paris a certificação de Geoparque Mundial da UNESCO, distinguindo um território que une Albufeira, Loulé e Silves. O reconhecimento internacional premeia anos de trabalho conjunto entre municípios, técnicos e comunidades locais, e coloca a região numa rede global de destinos de excelência ligados à geologia, educação e desenvolvimento sustentável. Com quase 2.500 quilómetros quadrados, incluindo uma vasta área marinha, o Algarvensis passa a ser o único geoparque situado a sul do rio Tejo. A distinção deverá reforçar o turismo de natureza, a investigação científica, a preservação ambiental e a promoção económica do interior algarvio, projetando uma nova imagem da região para além do sol e praia.
O Algarve acaba de conquistar uma das mais relevantes distinções internacionais atribuídas a territórios com valor natural e científico excecional. O Geoparque Algarvensis recebeu oficialmente o selo de Geoparque Mundial da UNESCO, colocando Albufeira, Loulé e Silves numa rede internacional reservada a regiões que sabem proteger, estudar e valorizar o seu património geológico.
A certificação foi entregue em Paris, numa cerimónia realizada na sede da UNESCO, onde estiveram representados os novos territórios distinguidos em vários pontos do mundo. Na capital francesa marcou presença uma delegação algarvia composta por representantes dos três municípios envolvidos no projeto, assinalando um momento considerado histórico para a região.
O reconhecimento surge após um longo processo técnico e diplomático, exigente nos critérios e rigoroso na avaliação. A UNESCO distingue apenas territórios que combinem riqueza geológica de relevância internacional com estratégias sólidas de conservação, educação, envolvimento das comunidades e desenvolvimento sustentável.
É precisamente esse modelo que o Algarvensis apresenta agora ao mundo. Com uma área próxima dos 2.500 quilómetros quadrados, incluindo mais de 840 quilómetros quadrados de zona marinha, o novo geoparque integra serras, barrocal, litoral, grutas, falésias, ribeiras, formações rochosas únicas e múltiplos sítios de interesse científico e paisagístico.
A distinção representa também uma mudança de narrativa para o Algarve. Durante décadas associado sobretudo ao turismo balnear, o território ganha agora uma nova projeção internacional centrada na natureza, no conhecimento, na cultura e na sustentabilidade. O selo UNESCO poderá atrair visitantes interessados em percursos pedestres, geoturismo, observação da paisagem, património local e experiências ligadas ao interior algarvio.
Para os municípios envolvidos, o impacto esperado vai além da promoção turística. O estatuto internacional abre portas a novas parcerias científicas, projetos educativos, candidaturas a financiamento e estratégias comuns de valorização territorial. Também os produtores locais e pequenas empresas poderão beneficiar de uma marca global associada à autenticidade e qualidade.
Outro dado simbólico reforça o peso desta conquista: o Algarvensis torna-se o único geoparque localizado a sul do rio Tejo, em Portugal. Num país onde a maioria das grandes classificações patrimoniais se concentra noutras regiões, o reconhecimento coloca o Algarve no centro de uma nova geografia de prestígio.
Mas a certificação não é um ponto de chegada. É, acima de tudo, uma responsabilidade acrescida. O estatuto agora atribuído será reavaliado periodicamente e exige manutenção de padrões elevados de gestão, preservação ambiental e envolvimento das populações.
Nos próximos anos, o desafio passará por transformar o selo UNESCO em benefícios concretos para quem vive e trabalha no território. Criar emprego qualificado, combater a sazonalidade turística, fixar população no interior e proteger recursos naturais serão metas decisivas.
O Algarve entra assim numa nova etapa. Já não é apenas destino de praias e verão. Passa a afirmar-se como território de ciência, paisagem, memória e futuro. O mundo acaba de reconhecer aquilo que a região há muito sabia: há um Algarve de enorme valor por descobrir.









