TURISMO, SEGURANÇA E QUALIDADE: O NOVO DESAFIO DE ALBUFEIRA E DO ALGARVE

A conferência dedicada ao turismo reuniu intervenções centradas nos desafios e oportunidades do setor em Portugal e, em particular, no Algarve e em Albufeira. Pedro Machado defendeu o turismo como uma das principais indústrias nacionais, rejeitando visões negativas sobre o crescimento turístico e sublinhando a importância da inovação, sustentabilidade, inteligência artificial, qualificação profissional e diversificação de mercados internacionais. O responsável destacou ainda o papel económico do setor, a necessidade de formação de mão de obra e a adaptação das empresas às novas tendências de consumo e tecnologia.

Já Rui Cristina focou-se nos desafios concretos de Albufeira, nomeadamente o ruído, a desordem urbana e a perda de algum turismo familiar. O autarca anunciou medidas para reorganizar a animação noturna, reforçar a segurança e melhorar a qualidade urbana, defendendo um turismo equilibrado, sustentável e compatível com a qualidade de vida dos residentes.

O futuro do turismo português, os desafios da sustentabilidade, a reorganização da noite em Albufeira e a necessidade de encontrar equilíbrio entre crescimento económico e qualidade de vida marcaram uma conferência dedicada ao setor turístico, reunindo responsáveis nacionais, autarcas e representantes empresariais.

Ao longo das várias intervenções ficou clara uma ideia comum: o turismo continua a ser uma das principais indústrias da economia portuguesa, mas enfrenta atualmente novos desafios ligados à competitividade, sustentabilidade, organização urbana, segurança e qualificação da oferta.

Uma das intervenções centrais pertenceu a Pedro Machado, que apresentou uma visão estratégica sobre o futuro do turismo nacional e internacional, defendendo o setor como motor económico e instrumento de desenvolvimento territorial.

O responsável rejeitou visões negativas sobre o crescimento turístico e contestou a ideia de que destinos fortemente turísticos sejam necessariamente frágeis do ponto de vista económico.

Como exemplo, recordou que os dois maiores destinos turísticos mundiais — França e os Estados Unidos — são simultaneamente das economias mais fortes do mundo.

Segundo Pedro Machado, o verdadeiro desafio não passa por travar o turismo, mas sim por melhorar a qualidade da oferta, aumentar competitividade e garantir equilíbrio entre crescimento económico, sustentabilidade e qualidade de vida.

Ao longo da intervenção, destacou ainda o peso económico da atividade turística, sublinhando que o setor deverá continuar a crescer acima da média da economia global durante a próxima década.

Defendeu também que o turismo não deve ser encarado apenas como uma atividade económica ligada à hotelaria e restauração, mas sim como um setor com impacto transversal em dezenas de áreas, desde comércio e transportes até cultura, património, agricultura e serviços.

Outro dos temas centrais foi a transformação tecnológica e a inteligência artificial.

Pedro Machado considerou que o verdadeiro risco para empresas e empresários não é a tecnologia em si, mas sim ficar fora da transformação digital em curso.

Nesse sentido, anunciou que a estratégia nacional do turismo deverá incluir medidas específicas de capacitação tecnológica, formação empresarial e apoio à modernização das empresas.

A sustentabilidade foi igualmente apontada como prioridade, embora defendendo uma abordagem equilibrada e pragmática.

O responsável criticou discursos excessivamente negativos sobre o turismo, defendendo que o setor deve continuar a crescer, mas de forma organizada e racional, conciliando desenvolvimento económico com proteção ambiental e qualidade urbana.

A falta de mão de obra e a qualificação profissional ocuparam igualmente parte significativa da intervenção.

Foram referidos protocolos internacionais com países lusófonos como Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe, visando formação de profissionais ligados à hotelaria e turismo.

Ao mesmo tempo, foram destacados programas de integração de imigrantes em Portugal através de formação técnica e estágios profissionais em empresas do setor turístico.

Pedro Machado abordou ainda a mudança dos hábitos de consumo após a pandemia, referindo que os turistas viajam mais, mas consomem de forma diferente, recorrendo cada vez mais a refeições rápidas e soluções práticas, obrigando hotelaria e restauração a adaptarem-se rapidamente.

Outro dos pontos destacados foi a diversificação dos mercados turísticos, com Portugal a apostar cada vez mais em visitantes provenientes do Canadá, Estados Unidos, Brasil, Argentina, bem como de mercados asiáticos como China e Japão.

Já numa perspetiva mais local, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, centrou a sua intervenção nos desafios concretos enfrentados pelo principal destino turístico do Algarve.

O autarca destacou os ativos turísticos do concelho, desde praias e hotelaria até restauração, comércio, património, animação noturna e potencial do interior algarvio.

No entanto, admitiu que existem sinais preocupantes relacionados com ruído, episódios de desordem urbana e perda de algum turismo familiar e de maior qualidade.

Por esse motivo, anunciou medidas de reorganização da animação noturna, incluindo redução transitória de horários e reforço do controlo sonoro nos estabelecimentos.

Rui Cristina fez questão de sublinhar que essas medidas não são dirigidas contra os empresários, mas antes a favor da qualificação da oferta turística e da proteção da imagem de Albufeira.

Segundo afirmou, o objetivo passa por garantir maior equilíbrio entre animação turística, segurança, qualidade urbana e descanso dos residentes.

O presidente da autarquia anunciou ainda reforço de efetivos da Guarda Nacional Republicana durante o verão, numa tentativa de aumentar a segurança e reduzir situações de desordem urbana.

Outro problema apontado pelo autarca foi a demora nos controlos fronteiriços no Aeroporto de Faro, situação que considera prejudicial para a imagem da região e para a experiência de quem visita o Algarve.

Mas um dos momentos mais relevantes da conferência acabou por surgir já fora das intervenções principais.

Durante o encontro, Sérgio Brito, ligado à associação de comerciantes local, alertou para a necessidade de existir maior entendimento entre empresários e autarquia relativamente às novas medidas para a noite e para o ruído em Albufeira.

Segundo afirmou, “se querem turismo, não pode ser assim”, defendendo que decisões com impacto direto na atividade económica devem resultar de diálogo, concertação e articulação entre empresários e Câmara Municipal.

Sérgio Brito revelou ainda que, cerca de uma semana antes da conferência, entregou pessoalmente ao presidente da Câmara um dossiê com várias propostas e medidas relacionadas com a reorganização da noite, segurança e redução do ruído no concelho.

De acordo com o representante dos comerciantes, essas propostas incluíam medidas dissuasoras para combater excessos e minimizar os problemas de ruído, defendendo igualmente que os empresários deveriam ser chamados a participar diretamente no processo de construção das soluções.

Nos bastidores da conferência, testemunhas relataram que, após a intervenção, Sérgio Brito terá enviado uma mensagem ao presidente da Câmara, Rui Cristina, solicitando uma reunião urgente para aprofundar o tema, apontando já para um possível encontro na próxima segunda-feira.

O episódio demonstra que as novas medidas relacionadas com a animação noturna e o ruído poderão abrir um novo ciclo de debate entre autarquia e setor empresarial, numa altura em que Albufeira procura reposicionar a sua imagem turística e encontrar equilíbrio entre economia, segurança e qualidade de vida.

Ao longo da conferência ficou evidente uma preocupação comum entre responsáveis públicos e empresários: garantir que o Algarve continua competitivo enquanto destino turístico internacional, mas sem perder qualidade urbana, segurança e capacidade de atração para diferentes segmentos de mercado.

A mensagem final deixada pelos intervenientes foi clara: o turismo continuará a ser decisivo para a economia portuguesa, mas o futuro do setor dependerá cada vez mais da capacidade de adaptação, diálogo, qualificação e equilíbrio entre crescimento económico e bem-estar das populações locais.

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