UMA VIDA DEDICADA A ALBUFEIRA

O Cónego José Rosa Simão celebrou 90 anos de vida e 66 de sacerdócio. Em Albufeira, onde chegou em 1968 e permaneceu quase 48 anos como pároco, deixou uma marca na comunidade e no património religioso do concelho

O dia 8 de setembro ficou marcado em Albufeira pelos 90 anos do Cónego José Rosa Simão, sacerdote que soma 66 anos de sacerdócio e quase 48 anos de ligação direta à comunidade albufeirense. A data foi assinalada com uma celebração religiosa e um jantar de aniversário, reunindo familiares, amigos, vários sacerdotes e pessoas que acompanharam diferentes etapas do seu percurso.

Entre os presentes esteve o vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Jorge Carmo, que participou na celebração da missa e, posteriormente, no jantar de aniversário. A ocasião reuniu também sacerdotes vindos de outras regiões do país, incluindo alguns que se deslocaram do Norte para estar com o Cónego José Rosa Simão nesta data.

O Município de Albufeira associou-se igualmente à celebração dos 90 anos do sacerdote. O presidente da Câmara Municipal, Rui Cristina, recebeu-o na autarquia e prestou-lhe homenagem pelo percurso desenvolvido ao longo de décadas, reconhecendo a dedicação à Igreja e à comunidade albufeirense.

Nascido em Quarteira, a 8 de setembro de 1936, José Rosa Simão é o mais novo de quatro irmãos. Entrou para o Seminário de Faro a 7 de outubro de 1948, prosseguindo posteriormente os estudos de Filosofia e Teologia em Lisboa.

Foi ordenado diácono no Paço Patriarcal de Lisboa, a 22 de maio de 1960, e recebeu a ordenação sacerdotal a 14 de agosto desse mesmo ano, na Sé de Faro, pelo então Bispo do Algarve, D. Francisco Rendeiro.

Entre 1960 e 1962 foi coadjutor do pároco de Lagos. Em outubro de 1962 integrou a equipa sacerdotal dirigente do Seminário de Faro, onde exerceu funções de formador. Entre 1966 e 1968 foi vice-reitor do Seminário, numa altura em que a instituição chegou a acolher cerca de 120 seminaristas provenientes de todo o país.

A 27 de outubro de 1968 tomou posse como pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Albufeira. Seguiram-se quase 48 anos de atividade pastoral no concelho, até setembro de 2016.

Durante esse período, esteve ligado a diferentes projetos da comunidade. Em 1985 foi responsável pela criação do Museu de Arte Sacra da Paróquia de Albufeira, contribuindo para a preservação do património religioso local.

Foi também impulsionador da construção do Centro Paroquial Pastoral e Apicentro, inaugurado em 2013, e do Centro Paroquial de Nossa Senhora dos Pescadores de Água, inaugurado em 2016.

A 2 de fevereiro de 1996 foi nomeado Cónego do Cabido da Sé de Faro, tomando posse a 25 de março desse ano. Ao longo do seu percurso desempenhou outras funções na Diocese do Algarve, entre as quais assistente diocesano da Liga Católica Feminina, membro da equipa diocesana da Pastoral do Turismo, vigário da Vara da Vigararia de Albufeira e membro do Conselho Presbiteral.

O percurso desenvolvido em Albufeira foi reconhecido pelo município em diferentes momentos. Em 2004 recebeu a Medalha de Honra Municipal pelos serviços prestados ao concelho e, a 27 de outubro de 2010, foi homenageado pela Câmara Municipal.

Apesar de aposentado desde setembro de 2016, o Cónego José Rosa Simão continua a colaborar com a Paróquia de Albufeira, mantendo uma ligação que se prolonga muito para além do exercício formal das funções de pároco.

Durante a homenagem realizada na Câmara Municipal, o sacerdote ofereceu ao presidente da autarquia, Rui Cristina, um exemplar do seu livro Santuário de Nossa Senhora da Orada – Memórias, publicado em 2024. A obra aborda a história daquele que é um dos santuários de maior expressão no Algarve, destino de romarias e peregrinações ao longo de mais de cinco séculos.

A celebração ficou também associada a uma vertente solidária. O valor angariado por Mónica Barata, destinado à Conferência de São Vicente de Paulo, foi de 5.530 euros, acrescentando ao aniversário uma dimensão de partilha e de apoio a quem mais precisa.

Aos 90 anos, o Cónego José Rosa Simão assinala 66 anos de sacerdócio e uma vida marcada por uma relação particularmente longa com Albufeira. Uma ligação iniciada em 1968 e que permanece ativa, através da colaboração com a paróquia e da memória deixada junto de várias gerações de albufeirenses.

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